Debates Eleitorais 2026: António Filipe V.S. André Ventura
«Aliás. Se eu lho perguntasse um exemplo de um país comunista em que os salários sejam altos, […], não têm nenhum. […] todos os países comunistas as pessoas querem sair de lá.»
No comunismo, não existe dinheiro, e então não existem salários, pelo menos da forma que conhecemos hoje.1 Como já não terias os patrões e burguesia (deixa de existir classes), amigos do Chega, todo o valor que os trabalhadores geram fica entre eles. «De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades».2 Olha, é o que quem vota no Chega quer, mas não é o que o Chega vai dar apesar de tudo o que eles dizem: se não trabalhas, mas consegues, não recebes nada. Outra coisa interessante sobre o comunismo, é que ele não acontece num só país. «Proletários de todos os países, uni-vos!».3 O comunismo é para ser universal.4
O problema são partidos como o PCP com “comunismo” no nome sem serem comunistas de verdade (debatível). Falam muito em “patriotismo” e pouco em internacionalismo. Deixaram a revolução para os reformismos e o parlamentarismo burguês, tornando-os parte do sistema capitalista. Só vou conseguir levar o PCP como marxistas-leninistas de verdade quando eles deixarem de participar em eleições e começarem a organizar e educar a classe trabalhadora de verdade, a caminho de uma revolução internacionalista, ao invés de se preocuparem com votos para depois, mesmo que eles tenham peso no parlamento ou consigam fazer governo, terem a constituição e a União Europeia como barreiras para certos reformismos. Entretanto, podem trocar o nome para Partido Democrático Avançado. Mas tirem o comunismo do nome se não é para representar o comunismo, e é para ajudar partidos reacionários como o Chega a dar ideias falsas do que realmente é o comunismo. Okay, também não era preciso deixarem de ser parlamentaristas, mas se educassem a classe trabalhadora direito, talvez muita gente (incluindo quem vota Chega agora) iriam chegar à conclusão de que são marxistas afinal e que o comunismo não é pior do que o que temos agora, nem mau de todo. Depois podiam entender que todos os partidos são sistema, e que só eles como classe podem fazer a mudança. Por que não o fazem? Talvez seja de propósito porque têm também os seus interesses capitalistas que querem defender, populistas de esquerda. Mas obviamente preferia que ninguém votasse na direita, especialmente reacionária, e não sinto que o PCP está a se esforçar para isso.
Mas para acabar, estado/país comunista é um paradoxo, não existem. Ele deve estar a se referir a países com partidos no poder que têm “comunismo” ou “socialismo” no nome ou como ideologia autoproclamada. Vamos ver quem são/foram as pessoas que saem/quiseram sair de lá. Fascistas, Nazistas, Burgueses, gente do pior. Isso é mau?
Outra vez a mesma retórica da Angola.
O Ventura é mesmo esquisito, gosta de pensar em pessoas a matarem-se umas às outras ao ponto de ter preferência entre qual pessoa é que deve morrer, ao invés de pensar como se faz para ninguém morrer. Matar é matar, ninguém devia ter a autoridade na vida de outra pessoa a todos os níveis, incluindo o de acabar com essa vida. Se alguém tem medo de ser autoritário, então estamos num bom caminho.
Aliás, no final, Ventura ainda simpatiza com o fascista Bukele (diminuição das cadeiras no parlamento, reeleições infinitas), por prender a mão de obra da competição do estado burguês, com a retórica de ser uma “questão de segurança”.