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Debates Eleitorais 2026: Henrique Gouveia e Melo V.S. André Ventura

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Incrível como alguém abertamente xenófobo está em primeiro nas sondagens.

«Uma tentativa de me silenciar.»

— André Ventura

Faz um crime que prejudica muita gente, depois não se responsabiliza.


«Eu sempre fui de centro.»

— Henrique Gouveia e Melo

O PS é social-democrata (centro-direita) já que não querem o comunismo como ponto de chegada. Se ele acha que eles estão mais à esquerda que ele, ele é de direta. Não existe centro. Quer tentar agradar todos.

«Dizer que Mário Soares é uma referência de presidente, é uma traição às forças armadas, aos retornados, às pessoas que deixaram as ex-colónias, enfim, entregues como nós sabemos, e também não só, a todos os que enriqueceram à volta do estado.»

— André Ventura

«[O Mário Soares e o General Ramalho Eanes] são referências do início da nossa democracia, sem eles nós não teríamos esta democracia, e sem eles, se calhar teríamos um regime comunista de extrema-esquerda e se calhar o Dr. André Ventura não poderia estar aqui…»

— Henrique Gouveia e Melo

Era para o Ventura não estar aqui? Afinal, o comunismo parece bom, então. Mandem-no para os gulags. Ou afinal o almirante quer o Ventura aqui?

Mário Soares e Ramalho Eanes respresentam o fim da real democracia, aqueles que cederam o poder aos imperialistas da NATO e UE.

«O que eu acho é que Gouveia e Melo quer agradar a toda a gente, e não agrada a ninguém.»

— André Ventura, o cata-vento

Se é para agradar quem vive em Portugal, o caminho tem que se fazer com a esquerda, porque a maioria das pessoas são de esquerda sistematicamente.

«Estar posicionado ao centro é naturalmente difícil.» — Henrique Gouveia e Melo

Olha a situação complicada do Melo. Idêntica ou pior que a situação da maioria dos portugueses.


Próximo assunto: Episódio homoerótico do almoço entre os candidatos (patrocinado por Mário Ferreira, cupido do capital).

«O Dr. André Ventura é uma pessoa importante no espectro político português.»

— Henrique Gouveia e Melo

O coração de Melo já não aguentava. «Naturalmente» ele tinha de conhecer este ator político «relevante». Para ele, Ventura «não é um indivíduo que seja perigoso», pelo contrário, a presença dele era irresistível.

Foi então que Mário Ferreira, o empresário-cupido, que provavelmente tem ambos a defender os seus interesses burgueses (facilitar a exploração dos trabalhadores), conseguiu marcar o jantar privado tão esperado por Melo. O almirante bem-queria que o jantar tivesse sido secreto, para que não o vissem rendido pelo fascínio que tem por Ventura e as suas ideologias fascizantes.

«Eu almoço, […], com quem quiser.»

— Henrique Gouveia e Melo

E quis.

Diante dele, Ventura. Uma tensão política, um duelo de egos. Para Melo, nada o poderia impedir de conhecer o seu amor proibido.

Na sua fantasia, ele já se via “contaminado” por Ventura: o primeiro-ministro criador de leis inconstitucionais e o presidente fiel, a promulgar cada desejo.

Mas a paixão política é cruel.

«O Dr. André Ventura está aqui a lutar contra mim.»

— Henrique Gouveia e Melo

Clássico enredo bully to lover.

Ventura multiplica encontros, coleciona políticos. Mas só Melo o faz duvidar da sua própria fandom (os “portugueses”).

«Eu percebi que os portugueses queriam outra coisa que não era o candidato Gouveia e Melo»

— André Ventura

Ferido, Melo responde: «eu não sou candidato do partido socialista, eu sou candidato de um partido chamado Portugal», o mesmo que Ventura sonha dominar.


O Ventura fala muito, mas com a quantidade de mal que ele causa a quem vive em Portugal, no mundo dele, ele perderia a nacionalidade.

Do jeito como eu odeio estados, incluindo Portugal, e que eles não valem nada (quem vale são os trabalhadores que lá vivem); que o hino é nacionalista e colonialista e por isso não presta; que a bandeira representa uma república que nunca esteve no lado certo da história e por isso não devemos ter orgulho nela; espero que não me tirem a nacionalidade também, dá-me jeito.

Eu compraria papel-higiénico da bandeira portuguesa. Mas só uma vez para o fun, porque provavelmente seria mais caro (ou não).

Um imigrante ao fim de 10 anos é o mesmo que ele já era quando entrou no país: o mesmo que um português. Sempre foi e sempre será o mesmo.

Nacionalidades, junto com os estados, bordas e retóricas nacionalistas, apenas servem para proteger os interesses da burguesia. São más para as pessoas, porque as dividem quando sofrem todas o mesmo e querem todos o mesmo: uma vida digna, melhores condições de trabalho, necessidades humanas garantidas.

Se as nacionalidades não existissem, não estariam à venda. Mas o capitalismo transforma tudo numa mercadoria.

Nesta matéria, Melo esteve melhor claramente.

No final, pensei que houvesse talvez um mau entendimento quando ele disse que «temos de mudar a constituição». Ventura abordava de coisas que acontecem noutros países e depois pergunta porque que nós não podemos fazer o que eles fazem se podem. Eu interpretei a resposta não como ele achando que a constituição tem que ser mudada e só apenas ele a dizer o que teria que ser feito para Ventura ter o que quer. No final ele disse que só o artigo n.º 288 é que acha que não deve ser mudado.