<>

Pesquisar no website

Esta pesquisa é efectuada pelo Google e utiliza software proprietário.

Eleições presidenciais portuguesas de 2026

Imperialismo, imigração e luta de classe

Resumo

Análise crítica do debate entre todos os candidatos presidenciais na RTP.

Perspectiva sobre as posições dos candidatos sobre Venezuela, imperialismo, imigração e luta de classes.

Assinaturas

Para verificar uma assinatura é necessário a mensagem, a assinatura digital e as chaves públicas dos assinantes. Esta tabela mostra algumas informações sobre os assinantes, as suas chaves públicas e as suas assinaturas.

Assinante Função Fingerprint Válido Commiter Mais Informações

Ver perfil
Autor 0xf28051334338f021

Erros

Informações

Data da assinatura
Data de expiração
Chave confiável
Data de criação
Tempo de leitura estimado
~ 13 minutos (palavras: 2418)

Vi todos os debates, e analisei a maioria deles.

Para dar contexto ao que vão ler, podem assistir à repetição do debate aqui.

Para mais informações sobre as eleições, os candidatos e as suas posições político-partidárias, sugerio que leiam este artigo na Wikipédia.

Venezuela

Para Mendes estamos a falar de uma situação muito delicada.

O direito internacional e o multilateralismo já não servem o imperialismo do ocidente.

O futuro da Venezuela tem que ser decidido pelos venezuelanos: em democracia, em liberdade, sem limitações e sem condicionamentos.

Gouveia e Melo diz que esta intervenção foi extrair 2 pessoas num território, sem mencionar que isso envolveu a morte de pelo menos 70 trabalhadores.

Chama à atenção para o neocolonialismo dos Estados Unidos da América (EUA), que querem controlar a Venezuela como se fosse uma colónia.

Ventura diz para fazer perguntas aos milhares de venezuelanos que estão em Portugal, ou qualquer outro sítio para onde imigraram, ao invés de fazer perguntas a quem está a viver neste momento na Venezuela ou ao redor, na América Latina e nas Caraíbas, que foi diretamente afetado com a intervenção dos EUA.

Diz que o direito internacional não está para proteger governos que é mentira, serve exatamente para defender o interesse dos estados (capitalistas), e depois diz que existe para proteger povos, mas dentro dos povos existe a classe burguesa, que eu sei que o Ventura defende, mas que não é do interesse da classe trabalhadora ela ser defendida.

Pergunta como é que queriam que os venezuelanos se livrassem de um ditador… Talvez da mesma forma que eles já fizeram antes. Portugal também já fez algo parecido recentemente, nas mesmas situações que tu dizes a Venezuela ter neste momento.

A morte do bin Lādin poderia nem ter sido uma opção se os EUA não tivessem armado os mujāhidīn no Afeganistão.

Mas alguma vez Portugal abdicou-se do seu território? O Ventura ou não sabe ou se esquece que Portugal esteve sempre a lamber as botas do Reino Unido, por exemplo, quando se abdicou do seu plano colonial do mapa cor-de-rosa, ou já que falou na Base das Lajes, quando durante a guerra do Yom Kippur, Portugal abdicou-se da base aérea aos EUA para eles fazerem ponte aérea a Israel, já que Portugal não aguentou as ameaças do secretário-geral Kissinger, de abandonar Portugal à sua sorte. Somos uns fraquinhos afinal. Parece que perante as ameaças dos maiores reinados do mundo, durante a nossa história toda, muitas das vezes não houve nem defesa, nem luta.

Seguro vem com a conversa nacionalista de que a nossa prioridade é a preocupação com os portugueses que vivem e trabalham na Venezuela, a prioridade mais importante, por que são mais importantes que todos os outros trabalhadores? Chauvinismo! É que nem mostrou uma fração da mesma preocupação para os outros todos.

Fala sobre o que já era óbvio, sem ser necessário o Trump admitir: a “democracia”, ou a ausência dela, não é o que preocupa os EUA. Nem o “narcotráfico”. Aliás, nunca foi. Os EUA já deram suporte e continuam a dar suporte a muitos estados antidemocráticos. Temos os casos do Panamá e do apoio ao início da ditadura militar no Brasil. Eles também já financiaram o tráfico de drogas. Eles próprios criaram a sua epidemia de crack que afetou especialmente a classe trabalhadora negra, e que serviu de desculpa para racismo. E o Trump faz amizades com traficantes. O que eles querem realmente é controlar os recursos, e o território.

Cotrim de Figueiredo está a falar como se o Estado da Venezuela fosse apenas o presidente, e como se tivesse havido um golpe de estado. O estado venezuelano continua a funcionar com “normalidade”

Sem esconder, quer o rearmamento da União Europeia (UE).

Martins tem defendido há muito tempo uma estratégia europeia sobre a defesa e a segurança (guerra) importantíssima. Mas isso serve para defender os interesses dos trabalhadores ou os interesses imperialistas da UE? E a “força”, afinal, não está nos trabalhadores, mas sim quando os estados querem.

Vieira compara Trump e Putin com Hitler, todos imperialistas. Também traz à conversa que uma das razões dos EUA quererem controlar as exportações do petróleo na Venezuela, é para ele continuar a ser vendido com o dólar dos EUA.

Correia, acha que a Venezuela é comunismo, ou seja, não sabe o que é comunismo. Venezuela é um estado — que não existem no comunismo — que tem classes — criadas através do estado — e que usa dinheiro para vender o seu petróleo. Aquilo é capitalismo, e Maduro faz parte da burguesia. Para ele no comunismo não existe democracia pelo que dá a entender, já que se a Venezuela tivesse um regime “democrático” não teríamos nesta situação. Depois vem com conversa nacionalista de salvar os portugueses esquecendo-se dos outros todos.

Credibilidade e Independência

Seguro tem apelado ao “voto útil”. A história é sempre para os candidatos à esquerda dele desistirem, mas nunca falou da possibilidade dos Gouveia e Melo ou Mendes desistirem, ou quem está ainda mais à direita. Ou porque não é ele a desistir? Vemos claramente que lado é que o Seguro está: no lado do capital, contra os trabalhadores. Será este o tal consenso neoliberal de que Filipe fala tanto?

Ventura admite que estamos a importar imigrantes, mão de obra, e que quando vêm, afinal é para trabalhar.

Mendes vai dar condições políticas ao governo para governar durante a legislatura porque foi o governo eleito pelos portugueses, ignorando completamente os abstencionistas, e afirmando que se o governo é fascista, ele vai deixar ficar.

Elogia as ações de Gouveia e Melo como se fossem algo tipicamente do PREC.

Pinto quer defender a nossa democracia liberal, e por isso desistiria da candidatura para os seus eleitores votarem “útil” no Seguro, que já vimos que lado é que ele está. Jorge Pinto está no mesmo lado.

Filipe e Martins dizem que não vão desistir.

Vieira, em relação à saúde, […] proibia a doença. Tentaria seduzir o governo […] a inscrever na constituição o direito à felicidade.

Envelhecimento e Imigração

Ventura reconhece que precisamos de mão de obra.

Pagassem bem aos portugueses que já não tínhamos que ter tantos imigrantes. Se as pessoas tivessem salários dignos e não fossem tratados como escravos, se calhar tínhamos menos necessidade de imigração.

— André Ventura

Interessante. Então é preciso serem portugueses para pagar exigir salários dignos?

Se não tivéssemos uma cultura de subsídio-dependência, não tínhamos tanta necessidade de mão de obra imigrante. A verdade é que como há subsídios para tudo e para todos, as pessoas não trabalham.

— André Ventura

Dizer que um setor precisa especificamente de mão de obra imigrante é um perigo.

Começa com a xenofobia. Que os imigrantes são uma grande parte criminosos/bandidos que hoje estão a matar pessoas, a assaltar pessoas e a violar pessoas. Que eles põem em causa a nossa identidade, a nossa coesão e a nossa segurança.

Seguro diz ser preciso imigrantes especificamente, ao invés de trabalhadores no geral, um perigo.

Martins chama a atenção para isto: se nós separamos trabalhadores de trabalhadores, não estamos a focar onde é fundamental.

E o nosso problema, não é onde cada pessoa nasceu. O nosso problema é o salário ser baixo. Porque o salário baixo, ou o transporte que não funciona, ou a casa que é cara de mais, afeta todos os trabalhadores, tenham eles nascido onde tiverem nascido.

— Catarina Martins

Para Cotrim de Figueiredo, o crescimento económico é absolutamente crucial para a resolução de todos os problemas. Mas apenas se forem os seus problemas. Porque eu já disse quem ganha com este crescimento: é só quem já tem capital.

A solução para os pobres que não têm poder na economia é o crescimento económico já que zero é o elemento absorvente da multiplicação no conjunto dos números reais.

Mendes estava distraído quando a Martins falava e diz que precisamos de imigrantes, e para piorar, diz que a razão, é porque os portugueses já não querem fazer certos trabalhos que os imigrantes hoje me dia fazem, ignorando a coerção laboral que as pessoas sem cidadania confrontam. Quem não faz esses certos trabalhos é porque tem a possibilidade de não os fazer, porque na realidade, nenhum trabalhador deseja um trabalho precário, que é a real razão de ninguém, imigrantes e portugueses, querer fazê-los.

Mendes concorda com Figueiredo que o crescimento económico é parte da solução.

Veio outra vez com a conversa de que uma empresa são os acionistas, são os gestores e são também os trabalhadores.

Uma empresa são só os trabalhadores, e nada os outros. As empresas não funcionaram quando os trabalhadores estavam em greve e não foram trabalhar, não foi?

Correia repete o que disse no debate anterior “Portugal não pode viver sem imigração […], mas, ao mesmo tempo, o povo português não pode ser absorvido pela imigração”, seja lá o que significa absorver aqui.

Pestana, relembra que a luta dos trabalhadores e das trabalhadoras é a única forma de nós trabalhadores termos as reformas que nós queremos. Se eles não nos dão as reformas, a revolta aumenta, e a revolução fica mais próxima, e o capital não quer isso. Está tudo nas nossas mãos. Não é um presidente da república, não é um governo, mas é essa mobilização.

Perguntas-Dilemas

O Ventura tem a lata de dar opinião sobre o companheiro de outra pessoa. Autoritário.

O travão do liberalismo que Cotrim de Figueiredo diz estar embutido em si próprio, ele acha que são os sentimentos morais e não a mão invisível, […] deixar as coisas funcionar que aquilo há de espontaneamente endireitar-se. Os sentimentos morais explica muito bem como é que numa sociedade liberal é impossível uma pessoa sentir-se verdadeiramente livre, quando têm pessoas a passar fome ou dificuldades ao seu lado, e que os sentimentos morais estão bastante acima do interesse próprio, que está na própria natureza humana.

Já esperamos por algum tempo e continuamos à espera dos sentimentos morais dos genocidas dos palestinos, dos curdos, dos arménios, pelo fim da exploração dos países periféricos como vários países da África (Congo, Sudão), da América Latina e da Caraíbas (acabamos de ver o que aconteceu na Venezuela), entre outros, pelas desigualdades que o capitalismo aumenta. Ou devemos, ao invés de esperar pelos sentimentos morais, esperar pela mão invisível?

Não existe simpatia porque a simpatia neste caso não favorece o capital. A simpatia só aparece quando o capital ganha com isso.

Se é para esperarmos pelos sentimentos morais do capitalista, estamos lixados. Nada vão fazer para realmente acabar com a exploração e desigualdade. O problema é sistemático, é preciso revolução.

A mão invisível parece pura ideologia burguesa contra-revolucionária. Então estás a dizer-me para deixar acontecer e aceitar a situação atual das coisas, que naturalmente vai ficar tudo bem? Idealismo. Como se não fossem os trabalhadores que, no fundo fazem, com que este sistema funcione. A mão visível?

O João Cotrim de Figueiredo deve ser daqueles que se queixa que o “comunismo” está ultrapassado, enquanto menciona textos de alguém da geração anterior à de Karl Marx. Aliás, uma das fontes e parte constitutiva do Marxismo era a economia política [clássica] inglesa de Adam Smith e David Ricardo. Talvez Figueiredo devia atualizar-se.

Das coisas mais sérias que eu falei, foi o direito à felicidade que eu afirmei aqui, ser inscrito na constituição. Acho que isto é uma coisa bastante séria. Acho que a felicidade é aquilo que nos faz estar verticais neste mundo.

— Manuel João Vieira

Conclusão

Encarar estas presidenciais, portanto, não é escolher um “salvador” nem projetar nelas a solução para a crise social e política. É compreender que nenhuma destas candidaturas oferece, por si só, uma saída capaz de inverter o rumo do país ou de travar a ofensiva patronal em curso. O risco maior não é votar numa candidatura insuficiente; é alimentar a ilusão de que a mudança virá das instituições, quando a experiência recente mostra exatamente o contrário.

Trabalhadores Unidos

Catarina Martins, António Filipe e André Pestana (ordem não tem significado) são os únicos votos que eu aceito. Não existem dois fascistas/reacionários nas eleições. Pelas sondagens, vai existir uma segunda volta. Na segunda volta, temos que ser pragmáticos caso uma das opções seja André Ventura. Mesmo assim, deus me livre (secular), o André Ventura é presidente, eu acho que só existe fascismo em Portugal, se a União Europeia permitir, e que por isso o foco da luta contra o fascismo em Portugal não pode ser a luta contra o André Ventura.

Votar é dar legitimidade ao sistema capitalista. Organiza-te com os outros trabalhadores para fazeres a mudança!

Listo alguns coletivos/partidos, especialmente em Portugal que poderão ser do teu interesse (ordem não tem significado):

Os partidos normalmente podem ter uma ala para a juventude, entre outras. Mas os partidos reconhecidos ou que querem ser reconhecidos pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) enventualmente fazem parte do sistema. Não queiras defender o sistema sem te aperceberes também.