Incrível como alguém abertamente xenófobo está em primeiro nas sondagens.
«Uma tentativa de me silenciar.»
— André Ventura
Faz um crime que prejudica muita gente, depois não se responsabiliza.
«Eu sempre fui de centro.»
— Henrique Gouveia e Melo
O PS é social-democrata (centro-direita) já que não querem o comunismo como
ponto de chegada. Se ele acha que eles estão mais à esquerda que ele, ele é de
direta. Não existe centro. Quer tentar agradar todos.
«Dizer que Mário Soares é uma referência de presidente, é uma traição às
forças armadas, aos retornados, às pessoas que deixaram as ex-colónias, enfim,
entregues como nós sabemos, e também não só, a todos os que enriqueceram à
volta do estado.»
— André Ventura
«[O Mário Soares e o General Ramalho Eanes] são referências do início da nossa
democracia, sem eles nós não teríamos esta democracia, e sem eles, se calhar
teríamos um regime comunista de extrema-esquerda e se calhar o Dr. André
Ventura não poderia estar aqui…»
— Henrique Gouveia e Melo
Era para o Ventura não estar aqui? Afinal, o comunismo parece bom, então.
Mandem-no para os gulags. Ou afinal o almirante quer o Ventura aqui?
Mário Soares e Ramalho Eanes respresentam o fim da real democracia, aqueles que
cederam o poder aos imperialistas da NATO e UE.
«O que eu acho é que Gouveia e Melo quer agradar a toda a gente, e não agrada
a ninguém.»
— André Ventura,
o cata-vento
Se é para agradar quem vive em Portugal, o caminho tem que se fazer com a
esquerda, porque a maioria das pessoas são de esquerda sistematicamente.
«Estar posicionado ao centro é naturalmente difícil.» — Henrique Gouveia e
Melo
Olha a situação complicada do Melo. Idêntica ou pior que a situação da maioria
dos portugueses.
Próximo assunto: Episódio homoerótico do almoço entre os candidatos (patrocinado
por Mário Ferreira, cupido do capital).
«O Dr. André Ventura é uma pessoa importante no espectro político português.»
— Henrique Gouveia e Melo
O coração de Melo já não aguentava. «Naturalmente» ele tinha de conhecer este
ator político «relevante». Para ele, Ventura «não é um indivíduo que seja
perigoso», pelo contrário, a presença dele era irresistível.
Foi então que Mário Ferreira, o empresário-cupido, que provavelmente tem ambos a
defender os seus interesses burgueses (facilitar a exploração dos
trabalhadores), conseguiu marcar o jantar privado tão esperado por Melo. O
almirante bem-queria que o jantar tivesse sido secreto, para que não o vissem
rendido pelo fascínio que tem por Ventura e as suas ideologias fascizantes.
«Eu almoço, […], com quem quiser.»
— Henrique Gouveia e Melo
E quis.
Diante dele, Ventura. Uma tensão política, um duelo de egos. Para Melo, nada o
poderia impedir de conhecer o seu amor proibido.
Na sua fantasia, ele já se via “contaminado” por Ventura: o primeiro-ministro
criador de leis inconstitucionais e o presidente fiel, a promulgar cada desejo.
Mas a paixão política é cruel.
«O Dr. André Ventura está aqui a lutar contra mim.»
— Henrique Gouveia e Melo
Clássico enredo bully to lover.
Ventura multiplica encontros, coleciona políticos. Mas só Melo o faz duvidar da
sua própria fandom (os “portugueses”).
«Eu percebi que os portugueses queriam outra coisa que não era o candidato
Gouveia e Melo»
— André Ventura
Ferido, Melo responde: «eu não sou candidato do partido socialista, eu sou
candidato de um partido chamado Portugal», o mesmo que Ventura sonha dominar.
O Ventura fala muito, mas com a quantidade de mal que ele causa a quem vive em
Portugal, no mundo dele, ele perderia a nacionalidade.
Do jeito como eu odeio estados, incluindo Portugal, e que eles não valem nada
(quem vale são os trabalhadores que lá vivem); que o hino é nacionalista e
colonialista e por isso não presta; que a bandeira representa uma república que
nunca esteve no lado certo da história e por isso não devemos ter orgulho nela;
espero que não me tirem a nacionalidade também, dá-me jeito.
Eu compraria papel-higiénico da bandeira portuguesa. Mas só uma vez para o
fun, porque provavelmente seria mais caro (ou não).
Um imigrante ao fim de 10 anos é o mesmo que ele já era quando entrou no país: o
mesmo que um português. Sempre foi e sempre será o mesmo.
Nacionalidades, junto com os estados, bordas e retóricas nacionalistas, apenas
servem para proteger os interesses da burguesia. São más para as pessoas, porque
as dividem quando sofrem todas o mesmo e querem todos o mesmo: uma vida digna,
melhores condições de trabalho, necessidades humanas garantidas.
Se as nacionalidades não existissem, não estariam à venda. Mas o capitalismo
transforma tudo numa mercadoria.
Nesta matéria, Melo esteve melhor claramente.
No final, pensei que houvesse talvez um mau entendimento quando ele disse que
«temos de mudar a constituição». Ventura abordava de coisas que acontecem
noutros países e depois pergunta porque que nós não podemos fazer o que eles
fazem se podem. Eu interpretei a resposta não como ele achando que a
constituição tem que ser mudada e só apenas ele a dizer o que teria que ser
feito para Ventura ter o que quer. No final ele disse que só o artigo n.º 288 é
que acha que não deve ser mudado.